O racismo é uma realidade diária que afeta profundamente a vida de adultos e crianças negras.
Andreia Duarte, da Ideia Negócios do Bem, compartilha suas reflexões sobre o privilégio de não sofrer discriminação racial direta e a necessidade de todos se comprometerem com a luta antirracista.
Ela reconhece que, apesar de sua origem humilde, seu privilégio foi ampliado pelo acesso à educação e à informação, o que a impulsiona a ser uma agente de transformação.
Andreia enfatiza que a luta contra o racismo não é apenas das pessoas negras, mas de todos nós.
Ela convida os leitores a buscarem conhecimento, lerem autores negros e refletirem sobre como podem contribuir para um mundo mais justo e equitativo. A autora destaca que não basta não ser racista; é essencial ser ativamente antirracista.
Não era minha intenção escrever um artigo, apenas um comentário.
Mas algumas reflexões não cabem em poucas palavras.
Começo afirmando: sou uma mulher privilegiada. Venho de uma origem humilde, passei por desafios e conquistas, e, mesmo assim, sou eternamente privilegiada.
O racismo atinge adultos negros todos os dias – de formas explícitas e veladas – e impacta profundamente as crianças negras, que desde muito pequenas precisam ser preparadas para enfrentá-lo.
Muitas famílias ensinam seus filhos desde cedo como agir diante do preconceito que inevitavelmente enfrentarão, inclusive para se protegerem de violências físicas motivadas pelo racismo.
Na infância e adolescência, eu não compreendia o que era racismo e muito menos tinha um posicionamento antirracista, simplesmente por falta de conhecimento.
Hoje, adulta e após muita leitura, me autodeclaro parda e reconheço a história de miscigenação da minha família. Nunca sofri discriminação por minha cor de pele e meus cabelos lisos me blindaram ainda mais. Mas sei que para muitos colegas de pele retinta e cabelos mais encaracolados, essa diferença foi determinante.
A cor da pele influenciou diretamente as oportunidades de estudo e trabalho que tiveram – e que foram, sem dúvida, menores do que as minhas.
Nunca sentirei a dor que acomete mais de 50% da população brasileira, mas busco a empatia e o compromisso com a mudança.
Meu privilégio se ampliou pelo acesso à educação e à informação, e vejo isso como ferramenta para potencializar o enfrentamento ao racismo. Já fui questionada, de forma sutil, sobre o porquê de falar sobre um tema que não me representa diretamente.
Mas eu sei que posso – e devo – ser agente de transformação.
Como mulher privilegiada, quero ser melhor amanhã do que sou hoje.
Me aproximo dos debates e mergulho em informações, pois acredito que quem tem o privilégio de não sentir na pele a dor do racismo precisa usá-lo para combater esse sistema estrutural enraizado.
A luta antirracista não é apenas das pessoas negras. Não é apenas dos pais e mães de crianças negras.
O enfrentamento ao racismo é de todos! É minha luta. É sua luta. É nossa luta.
Por isso, busque conhecimento.
Leia autores negros que compartilham conosco uma história que, por muito tempo, foi silenciada:
Reflita. Questione.
E principalmente: descubra como você pode tornar o mundo mais humano, equitativo, representativo e regenerativo.
E lembre-se: não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas!
Deia | Andreia Duarte
