Equidade de Gênero: A Transformação que Precisa Começar em Nós

mulher preta com o braço dobrado e a mão para cima, para representar sua força, cercada por flores lilás para representar sua sensibilidade e a luta do feminino

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A equidade de gênero é uma transformação necessária que começa dentro de cada um de nós. Neste artigo, Andreia Duarte compartilha sua jornada pessoal e profissional, destacando os desafios enfrentados como mulher em cargos de liderança e a evolução de sua compreensão sobre equidade. Ela reflete sobre as barreiras históricas impostas às mulheres e a necessidade de criar mecanismos para superá-las.

Andreia aborda verdades fundamentais: mulheres não são propriedade, têm capacidade comprovada, e a equidade de gênero começa dentro de casa. Ela enfatiza a importância de vagas afirmativas de gênero e equiparação salarial para corrigir disparidades e promover um ambiente de trabalho mais justo e inclusivo.

A autora ressalta que a transformação é contínua e que a luta por equidade e sororidade deve ser constante. Este artigo é um chamado à ação para todos refletirem e se comprometerem com a mudança.

mulher sorrindo em mesa com livros e uma boneca de pano, é a Andreia Duarte fundadora da Ideia. Ela fala de equidade de gênero.

No meu primeiro emprego, meu líder imediato era um homem. Mas tive o privilégio de ter uma gerente – uma mulher forte – que me inspirou profundamente.

Naquele tempo, ocupar um cargo gerencial sendo mulher não era apenas um desafio profissional, mas um teste constante.

O sucesso não era medido apenas pelos resultados, mas pelo comportamento: vestir-se de forma “neutra” – terninhos de cortes retos –, falar em um tom grave e firme, e dedicar-se ao trabalho até tarde, enquanto seus filhos iam ao escritório apenas para matar a saudade.

E eu segui esse exemplo.

Acreditei por anos que a responsabilidade pelo assédio masculino estava na roupa que uma mulher vestia. Senti culpa por sair no horário para uma consulta de pré-natal.

Achei normal deixar meu filho na creche antes dos quatro meses. Acreditei na meritocracia, enquanto via homens sendo promovidos com menos da metade dos resultados e competências que eu tinha.

Julguei – erroneamente – mulheres que priorizavam o cuidado com os filhos e se ausentavam para uma reunião na escola.

Mas o aprendizado vem da reflexão

Demorou, mas a transformação aconteceu.

Hoje, ao olhar para trás, vejo com clareza as estruturas que me fizeram acreditar que aquilo era natural.

Não era. Nunca foi.

Percebi que a busca não é por igualdade de gênero – somos distintos e nossas especificidades devem ser respeitadas.

O que precisamos é de equidade de gênero: criar mecanismos para reduzir as barreiras historicamente impostas entre homens e mulheres.

E, para isso, há algumas verdades que não podemos ignorar

  • Mulheres não são propriedade

A ideia de posse sobre a mulher foi historicamente imposta pelo capitalismo para garantir a herança da propriedade privada.

A monogamia feminina servia para assegurar que os filhos legítimos herdassem os bens da família.

Já passou da hora de desconstruirmos esse conceito.

  • Mulheres têm capacidade – e isso já está comprovado

As mulheres estudam mais do que os homens, mas continuam ganhando menos e estão mais vulneráveis à informalidade.

Ter filhos ou dividir-se entre trabalho e casa não afeta a inteligência, a produtividade ou a competência profissional.

  • Vagas afirmativas de gênero e equiparação salarial são essenciais

As mulheres ocupam menos de 1% dos cargos executivos em empresas de capital aberto globalmente.

Homens ainda dominam as lideranças e promovem aqueles que refletem suas próprias trajetórias.

Trabalhamos tanto quanto – ou mais – e, ainda assim, recebemos menos e oportunidades reduzidas.

  • Equidade de gênero começa dentro de casa

O homem não “ajuda” – ele compartilha a rotina da família. Por muito tempo, as mulheres foram obrigadas a fazer tudo sozinhas.

Mas isso não significa que os homens não possam dividir as responsabilidades.

E essa mudança impacta diretamente o mercado de trabalho, pois a sobrecarga doméstica ainda pesa sobre as mulheres e limita suas oportunidades de crescimento.

Minha lista poderia continuar, mas o essencial está aqui: precisamos falar sobre isso.

E, acima de tudo, preciso dizer que estou em constante transformação. Ainda estou aprendendo.

Mas, enquanto houver espaço para mudança, minha luta por equidade e sororidade seguirá firme.

Sempre.

Deia | Andreia Duarte

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