Setembro Amarelo: a história do laço amarelo e o convite para cuidar de quem está perto

Setembro Amarelo e o laço amarelo

Índice

O Setembro Amarelo e o laço amarelo carregam uma história que começou há mais de 30 anos e hoje ajuda a abrir conversas sobre saúde mental e prevenção ao suicídio em diferentes partes do mundo.

A campanha ganha mais visibilidade durante setembro, mas o cuidado que ela propõe não precisa ficar restrito a um mês. Perguntar como alguém está, escutar com atenção e saber onde procurar ajuda são atitudes que podem fazer parte do cotidiano.

Mas por que justamente o amarelo? E como um laço dessa cor passou a representar essa conversa?É sobre isso que vamos falar hoje.

O que é o Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e o cuidado com a saúde mental. 

No Brasil, a mobilização é promovida nacionalmente pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 2014. 

O mês foi escolhido porque 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi estabelecida em 2003 pela International Association for Suicide Prevention (IASP), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Durante setembro, campanhas e ações ajudam a ampliar conversas sobre prevenção, acolhimento e procura por apoio profissional. O laço amarelo se tornou um dos símbolos mais conhecidos dessa mobilização.

Qual é a origem do Setembro Amarelo?

A história associada à origem do Setembro Amarelo e do laço amarelo começou em 1994, nos Estados Unidos, após a morte de Mike Emme, um adolescente de 17 anos.

Mike gostava de mecânica e havia restaurado um Ford Mustang 1968, que pintou de amarelo brilhante. O carro ficou tão ligado à sua imagem que ele passou a ser conhecido entre os amigos como “Mustang Mike”. Naquele ano, Mike morreu por suicídio.

Durante a cerimônia de despedida, familiares e amigos prepararam 500 mensagens em papéis amarelos acompanhadas por fitas da mesma cor. Os cartões traziam contatos para quem precisasse pedir ajuda. Todos foram distribuídos e começaram a circular entre outros jovens. 

Poucas semanas depois, uma jovem usou uma dessas mensagens para demonstrar à professora que precisava de ajuda. A mobilização deu origem ao Yellow Ribbon Suicide Prevention Program, fundado ainda em 1994 pelos familiares e amigos de Mike. 

Uma homenagem que nasceu naquele grupo começou, então, a alcançar outras pessoas.

Qual é o significado do laço amarelo?

O laço amarelo é usado como símbolo da prevenção ao suicídio e do incentivo à busca por ajuda.

A escolha da cor está relacionada ao Mustang amarelo restaurado por Mike Emme. Depois de sua morte, amigos e familiares usaram fitas e mensagens amarelas na mobilização que deu origem ao Yellow Ribbon Suicide Prevention Program. 

Com o passar dos anos, o símbolo passou a aparecer em ações de conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio em diferentes países. No Brasil, o laço também acompanha a campanha Setembro Amarelo. 

Por trás dele existe uma mensagem simples que continua atual. Quando algo não vai bem, pedir ajuda precisa ser uma possibilidade.

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Por que setembro é o mês de prevenção ao suicídio?

Setembro concentra as ações porque o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio acontece em 10 de setembro.

A data é observada mundialmente desde 2003 e busca ampliar a conscientização sobre prevenção, reduzir o estigma relacionado ao tema e estimular conversas que facilitem a procura por apoio. 

Em 2026, o tema adotado pela OMS para o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio continua sendo “Changing the Narrative on Suicide”, ou “Mudando a narrativa sobre o suicídio”, com o chamado para iniciar conversas sobre o assunto. 

É uma proposta que também passa pelo cotidiano. Nem sempre quem enfrenta um período difícil deixa de trabalhar, conversar, participar de reuniões ou apoiar outras pessoas.

Às vezes, quem precisa ser escutado continua parecendo bem para quem está por perto.

Quais são os sinais de alerta que merecem atenção?

Mudanças de comportamento, isolamento e falas relacionadas à desesperança estão entre os sinais que merecem atenção. Nenhum deles deve ser analisado sozinho ou tratado como uma forma de prever o que uma pessoa fará.

O Ministério da Saúde reforça que não existe uma “receita” capaz de identificar uma crise suicida com segurança. O cuidado aumenta quando diferentes sinais aparecem ao mesmo tempo ou representam uma mudança importante no comportamento daquela pessoa. 

No nosso e-book Kit de Primeiros Socorros Emocionais, reunimos alguns pontos para observar em nós mesmos e nas pessoas próximas. 

  • isolamento e afastamento de pessoas ou atividades de que antes gostava;
  • mudanças bruscas de humor ou comportamento;
  • falas sobre se sentir um peso para os outros ou não encontrar saída;
  • distribuição de pertences importantes ou despedidas incomuns;
  • perda de interesse em cuidar de si.

Perceber uma mudança não exige que você tenha todas as respostas. Pode ser o momento de se aproximar e abrir espaço para uma conversa.

Como ajudar alguém que está passando por um momento difícil?

Perguntar como a pessoa está e escutar sem julgamento pode ser um primeiro passo.

Evite diminuir o que ela sente ou tentar encontrar rapidamente uma solução para tudo. O material preparado pela Ideia orienta a ouvir, permanecer ao lado da pessoa durante uma crise e ajudá-la a procurar apoio profissional. 

Foi a partir dessa proposta de cuidado que a Ideia Negócios do Bem, em parceria com a Rede Sesc Ação Comunitária, facilitou um encontro sobre o Setembro Amarelo.

Na atividade, trabalhamos com dois gestos. O laço branco lembrava cada participante de que também pode pedir ajuda quando precisar. Já o laço amarelo era entregue a outra pessoa como uma forma de demonstrar presença e disponibilidade para escutar.

A dinâmica colocava duas perguntas na mesma conversa. Como eu estou? E como está quem está perto de mim?

Onde buscar ajuda?

Há serviços gratuitos disponíveis para quem está enfrentando sofrimento emocional ou precisa conversar.

O CVV — Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. O atendimento também pode ser acessado pelos canais disponíveis no site do CVV. 

Também é possível buscar atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Em situações de urgência, o Ministério da Saúde orienta procurar uma UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital, ou acionar o SAMU pelo 192. 

Esses contatos também estão reunidos no nosso Kit de Primeiros Socorros Emocionais para que possam ficar perto de você quando forem necessários. 

Baixe o e-book Kit de Primeiros Socorros Emocionais

Criamos o e-book Kit de Primeiros Socorros Emocionais como um material para guardar e consultar no seu tempo.

Nele, você encontra atividades para reconhecer sentimentos e necessidades, diário da gratidão, Roda da Vida, sinais que merecem atenção e informações sobre onde procurar ajuda.

Guarde para você ou compartilhe com alguém que possa aproveitar o material.

Que o laço amarelo também sirva como um lembrete depois que setembro terminar. Perguntar, escutar e estar perto pode fazer parte do cuidado durante o ano inteiro.

Perguntas frequentes sobre a prevenção ao suicídio

Perguntar se alguém pensa em suicídio pode incentivar a pessoa?

Não. Perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas não incentiva uma tentativa. A conversa pode ajudar a pessoa a falar sobre um sofrimento que vinha escondendo. Você pode perguntar com calma: “Você tem pensado em se machucar ou em tirar a própria vida?”.

Somente pessoas com depressão podem ter pensamentos suicidas?

Não. Os pensamentos suicidas também podem ocorrer em pessoas sem depressão ou outro diagnóstico de saúde mental. O sofrimento pode envolver diferentes fatores, como violência, perdas e dor crônica. Por isso, não é preciso esperar um diagnóstico para levar um relato a sério.

Devo guardar segredo se alguém disser que pretende tirar a própria vida?

Não prometa segredo quando houver risco à vida. Explique com cuidado que você precisa envolver alguém que possa ajudar a protegê-la, como um profissional de saúde ou uma pessoa de confiança. Compartilhe apenas o necessário para buscar proteção, sem expor o relato a outras pessoas.

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